15 Dezembro 2009

Onde andará Nicanor?
Tinha mãos de jardineiro
Quando tratava de amor
Há tanta moça na espera
Suas gentis primaveras
Um desperdício de flor
Onde andará Nicanor?
Tinha amor pro porto inteiro
Um peito de remador
Ah, quem me dera as morenas
Pra consolar suas penas
Para abrandar seucalor

Olha elas sempre aflitas
Bata o vento ou caia chuva
Cada uma mais bonita
E mais viúva
Todas elas fazem ninho
Da saudade e da virtude
Mas carinho
Queira Deus que Deus ajude

Onde andará Nicanor?
Tinha nó de marinheiro
Quando amarrava um amor
Mas há recantos guardados
Nos sete mares rasgados
Sete pecados tão bons
Onde andará Nicanor?

06 Dezembro 2009



para que se leia o tratado do desespero e da beatitude é preciso que se esteja

1) desesperado
2) adepto ao celibato
3) neutro, cristão e que mantenha em casa orquídeas de pétalas rosadas
4) na quinta fase ou dando de comer aos paralelepípedos da rua da mão inglesa
5) são e sórdido


11 Novembro 2009

para te escrever eu antes me perfumo toda

clarice



volto quando houver trégua da vida que vem me afogando em fúria e alegria, dia após dia, pelas noites quentes de novembro, até sempre. felicidade bate à porta, chico disse pecado se eu não atender

24 Outubro 2009

a poesia é proibida para os jornalistas

..

(...)
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando,
mas de tal jeito urdidos
o jogo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o vivido e o inventado.
(...)

drummond

22 Outubro 2009

amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


drummond
o mar batia em meu peito,
não batia no cais


drummond

18 Outubro 2009

usually when things has gone this far
people tend to disappear

qualquer outro sono seria supérfluo, era uma daquelas noites frias lá fora e quentes, quentes, incômodas. havia um coração correndo em fuga e pensamentos feito flechas, fazendo sombra entre as cortinas. como quando você fecha os olhos só pra dar de sentir de novo o cheiro das memórias - memórias que são dores, ardores, consolos. a noite, cúmplice, não diz nada até que o dia chegue. se despede em sussurro e deixa ficar uma ou duas emoções sem nome, pra que aguentemos sem morrer de saudade até o próximo anoitecer. que sabemos que virá. mas que mata aos poucos, segundo a segundo, de saudade, de paixão e de lamento.

15 Outubro 2009

Um nojo, vez em quando me dá asco - nojo é culpa, nojo é moral - você se sente sórdido, baby?

caio, de novo.